Entre 2021 e 2025, os Laboratórios Colaborativos geraram 261,6 milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB), sustentaram mais de 2.100 empregos e devolveram ao Estado cerca de 81% do financiamento público recebido, sob a forma de receita fiscal.
Este são os principais resultados do Estudo de Impacto Socioeconómico dos Laboratórios Colaborativos em Portugal realizado pela Porto Business School, e é também o ponto de partida para perceber onde estas estruturas se inserem, que lacunas colmatam e o que falta ainda fazer.
O mercado e a ciência apenas não são suficientes
O estudo é claro quanto ao tipo de contextos em que os CoLABs intervêm. Em 82% dos casos analisados, a sua atuação incidiu sobre situações em que a atividade económica não existia, estava limitada por problemas de escala, custo ou qualidade, ou funcionava com baixos níveis de eficiência. Os bloqueios mais frequentes identificados pelos próprios CoLABs foram falta de capacidade interna nas organizações, risco técnico elevado, ausência de tecnologia disponível e custos proibitivos.
Estes não são obstáculos que o mercado resolva espontaneamente, nem que a ciência, isolada, consiga ultrapassar. São falhas estruturais. É aqui que a função de interface dos CoLABs tem valor económico real – não como substituto do mercado, mas como mecanismo de desbloqueio que cria as condições para que o mercado possa avançar.
Os números de uma estrutura jovem, mas já economicamente expressiva
Estes são os números expressivos de 2025: 74,7 milhões de euros de VAB total, 2.178 postos de trabalho sustentados, 51,8 milhões de euros em remunerações e 26,5 milhões de euros de receita fiscal. Entre 2021 e 2025, o VAB cresceu 126% e o emprego associado aumentou 112%.
A análise do retorno do financiamento público completa a moldura. No período entre 2021 e 2025, cada euro de financiamento público esteve associado a 2,27 euros de VAB gerado na economia. A receita fiscal direta, indireta e induzida gerada pela atividade dos CoLABs atingiu 92,8 milhões de euros, equivalentes a cerca de 81% do financiamento público recebido. Consierando estes números, o VAB total gerado corresponde a cerca de 11,69€ por cada euro de esforço público líquido.
No fundo, o que o Estado investe nos CoLABs regressa, em larga medida, ao próprio Estado.
O que ainda falta fazer – a avaliação
A principal lacuna identificada pelo estudo não é de desempenho, mas de avaliação. Os CoLABs continuam a ser medidos com métricas inadequadas à sua natureza: ora as métricas do sistema científico, ora as métricas empresariais.
O estudo propõe um quadro de avaliação multidimensional que combine quatro dimensões: capacidade instalada, ligação ao mercado, impacto económico interno e efeitos sistémicos e estruturais. Sem este quadro, uma parte relevante do valor criado pelos CoLABs permanece invisível, ou seja, subfinanciado.
Conclusão
O estudo é explícito quanto ao risco: interromper ou fragilizar o financiamento estrutural dos CoLABs nesta fase de consolidação comprometeria uma trajetória que começa agora a produzir resultados mensuráveis. Mas também é claro que prolongar o financiamento sem exigência e sem métricas adequadas seria igualmente insuficiente.
Os CoLABs precisam de continuidade, de avaliação e de foco em impacto. E precisam, sobretudo, de ser avaliados pelo que efetivamente são: infraestruturas de interface entre ciência, indústria, economia e sociedade.